Nota

Sabia que a publicação de um artigo científico chega a custar 11.300,00 dólares e a linha de extrema pobreza que os ricos definem para os pobres é de 1,90 dólares por dia? Isso mesmo! Um artigo só desses, digamos que de 15 paginas, é 5.946 (cinco mil novecentos e quarenta e seis) vezes maior que o limiar de pobreza extrema, abaixo do qual há milhões de pessoas. Semanalmente são publicados milhares de artigos científicos em revistas que cobraram uma taxa elevadíssima aos autores dispostos a pagar para que os artigos possam ser lidos “gratuitamente” por qualquer pessoa. Quando os autores não podem pagar, cada pessoa que quiser lê-lo, ou a instituição à que ela está filhada, tem que pagar taxas que é qualquer coisa menos barata. O diferencial das revistas científicas é que os artigos são revisados por especialistas. Aqui vem o outro detalhe: os especialistas fazem isso de graça! A indústria de publicação científica é das mais lucrativas do planeta. É outro caso lamentável no qual parte dos impostos pagos pelos extremamente pobres, vão parar no bolso dos extremamente ricos. Tudo em nome da ciência!

Como é de se esperar, muitos pesquisadores não confundem essa indústria com a ciência. É o caso da maravilhosa Alexandra Elbakyan, descrita pela Sociedade Brasileira de Medicina Tropical como a Robin Hood da ciência. Ela criou o Sci-Hub, uma página de internet que permite baixar gratuitamente muitos artigos apropriados pela indústria de publicação. É semelhante ao Libgen, que além de artigos, permite baixar livros e outros tipos de publicação, especificando o tipo de busca (Libgen para livros, Scientific Articles para artigos ou capitulos de alguns livros não disponíveis na íntegra etc). Ambas páginas são constantemente atacadas e por isso mudam de domínio com frequência. São páginas legítimas e ilegais fazendo um serviço social frente à legalidade ilegítima da indústria de publicação? Cada quem tira suas conclusões. Há quem usa as páginas para acessar o conhecimento privatizado e quem além de usá-las lhes faz doações para fortalecer a iniciativa.




Aqui compartilhamos uma lista de referências que se caracteriza ante tudo pela sua incompletude e divisão arbitrária. Muitas das referências que estão numa seção deveriam ser repetidas em outras e, muitas mais, nem aparecem na lista apesar da sua qualidade e relevância para a SUP. Contudo, o objetivo é fornecer pontos de entrada sobre tópicos que ao serem entrelaçados, e por vezes reformulados ou deformados, levam à SUP.

Índice




Saúde Única

Milhares de artigos são publicados anualmente sobre a Saúde Única e muitos milhares a mais são publicados sem a chancela “Saúde Única”, mas abordando assuntos abraçados pelo seu discurso: zoonoses, medicina veterinária preventiva, saúde pública veterinaria, epidemiologia animal e eco-epidemiologia. Em contrapartida, são relativamente poucas as publicações que adotam uma abordagem crítica, foco da lista seguir.

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Epidemiologia crítica e saúde coletiva

A epidemiologia crítica e a saúde coletiva são movimentos de saúde latino-americanos com propostas para superar a colonialidade da saúde pública do Norte global. Ironicamente têm reproduzido o antropocentrismo colonial, mas publicações recentes parecem acenar uma mudança de postura convenientes para que a SUP deixe de ser um ponto cego desses movimentos. Fora da América Latina, a saúde pública crítica e a nova saúde pública são as abordagens que compartilham mais afinidades com a epidemiologia crítica e a saúde coletiva.

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Determinação social e determinantes sociais da saúde

A determinação social da saúde e os determinantes sociais da saúde são marcos conceituais diferentes. Desde o primeiro tem se criticado o segundo por ser, na prática, conivente com os interesses dos grupos dominantes. No entanto, e em conosnância com um dos princípios da determinação social (o movimento dialético), acreditamos que é possível uma síntese de ambas abordagens. Na rede SUP pesquisamos essa possibilidade usando os coletivos multiespécie e os dispositivos de marginalização como chaves interpretativas.

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Promoção da saúde

A conotação de “promoção” na SUP (ver From modern Planetary Health to decolonial promotion of One Health of Peripheries) é uma releitura multiespécie e decolonial do que se conhece por “promoção da saúde”.

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Biopolítica mais-que-humana

A biopolítica aborda novas formas de poder ou aspectos do poder outrora desconhecidos, no âmbito de fenômenos tão diversos como os campos de concentração, os processos migratórios, o capitalismo cognitivo, a domesticação, o paradigma imunitário da política moderna, a relação dos humanos com outros animais e com a tecnologia, a soberania, o estado de exceção, e a relação poder/saber. A biopolítica mais-que-humana vem complementando biopolítica restrita a fenômenos humanos e a SUP contribui a essa complementação. A seguinte lista refere-se principalmente às vertentes mais-que-humans.

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Estudos críticos animais

Os estudos críticos animais estão crescendo vertiginosamente e abordam uma ampla variedade de tópicos, como pode ser visto nas coleções indicadas a seguir, fundamentais para trabalhar dispositivos de marginalização envolvendo animais não humanos.

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Interseccionalidade mais-que-humana

A interseccionalidade mais-que-humana é outra chave interpretativa fundamental para dar sentido à determinação social da SUP. Os dispositivos de marginalização distribuem os indivíduos em categorias de espécie, raça, etnia, gênero e classe social entre outras, e os sinergismos e antagonismos (interseccionalidade) entre dispositivos de marginalização determinam perfis epidemiológicos de coletivos multiespécie. Não incluímos os principais textos de interseccionalidade humana.

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Colonialidade/Modernidade

O recorte aqui é principalmente do movimento intelectual latino-americano, devendo-se notar que neste, colonialidade é diferente de colonialismo. Mignolo por exemplo diz que a “colonialidade nomeia a lógica subjacente da fundação e do desdobramento da civilização ocidental desde o Renascimento até hoje, da qual colonialismos históricos têm sido uma dimensão constituinte, embora minimizada”. A modernidade tem um componente mítico pouco conhecido no imaginário popular, sintetizado com extrema clareza pelo Dussel (1993). Essa colonialidade é um dos principais dispositivos de marginalização de coletivos multiespécie. Incluímos também algumas referências que sem ser parte do referido movimento, destacam-se pela abordagem mais-que-humana.

Palavras chave: giro decolonial, Grupo Modernidade/Colonialidade, colonialismo, colonialidade, neocolonial, decolonialidade, transmodernidade, culturas híbridas, epistemologias do Sul, Sul global, ecologia de saberes, interculturalidade, pós-colonial.

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Abordagens holísticas

Uma pequena lista frente à urgência de pensar diferente.

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Justícia multiespécie

As iniquidades são um conceito fundamental da determinação social da saúde e portanto são necessárias teorias de justícia multiespécie na SUP.

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Cartografia periférica

Algumas periferias para promover a SUP.

Doenças negligenciadas

Embora insuficiente, já existe mobilização para abordar as doenças negligenciadas. Essa mobilização pode ser aproveitada para promover a SUP, lembrando que mais do que doenças negligenciadas, há coletivos multiespécie negligenciados.

Violência doméstica

A relação entre diferentes tipos de vítimas da violência doméstica tem sido amplamente estudada, privilegiando abordagens focadas em fatores individuais e psicopatológicos, e nas violências reprovadas socialmente. Mas qual o efeito das condições estruturais (sociais, culturais, econômicas) que transcendem o indivíduo? Como a violência doméstica retroalimenta essas condições? Que tipos de violência têm ampla aceitação social? Essas são algumas das perguntas que nós fazemos no contexto da promoção decolonial da SUP.

Favelas

Nas favelas há múltiplas periferias e entras mais invisibilizadas estão as constituídas por animais não humanas. Assim, não surpreende que a literatura acadêmica omita ainda mais a existência de coletivos multiespécie.

Moradores de rua

Existe uma mobilização considerável de grupos de proteção de cães e gatos de rua e, por outro lado, de ações filantrópicas para moradores de rua. A mobilização é menor quando se trata de coletivos multiespécie em situação de rua, contudo, tem mais suporte na literatura quando comparada com a mobilização pelos coletivos multiespécie das favelas.

Experimentação em animais

As revisões sistemáticas oferecem a evidência científica mais robusta sobres os achados das pesquisas de um dado fenômeno. Essa evidência, somada a considerações éticas e interesses do complexo animal-industrial, oferecem uma visão mais abrangente das determinações da saúde dos coletivos multiespécie dessa periferia. As referências desta lista mostram que a experimentação animal não leva invariavelmente a benefícios para a saúde humana e pode inclusive comprometer os avanços médicos que pretende suportar. É necessário mais rigor científico e embasamento ético para evitar sofrimento desnecessário.

Externalidades do agronegócio

Para termos soberania e segurança alimentar é necessário desconstruir a ideologia do agronegócio. Precisamos comida saudável e sustentável, no lugar de transnacionais geradoras de pobreza e enfermidade.

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Imagem panorâmica des nosses amiges de Juegos translúcidos